Autor: Joana

Por que ninguém está de acordo em nutrição?

Olá, João. Eu devia esquecer-se assinalar a caixa de notificações e não tinha visto o teu comentário até agora que me lembrei de verificar a entrada.

Antes de mais nada, devo dizer que eu não me dei por atacado, nem eu disse que você atacou ninguém em seu artigo. Não vejo nada disso no meu comentário. Talvez tu és a quem lhe pareceu ver um ataque no que eu digo. Se bem que, eu não realizo nenhum tipo de alusão pessoal, ofensivo ou depreciativo sobre ninguém. Eu acho que a sua resposta é, talvez, um tanto inadequada a respeito de minhas palavras, ou assim me parece, pelo menos.

Tudo que eu quis foi apontar uma nota de esclarecimento sobre o uso dos termos. Em concreto sobre o uso do termo veganismo. Nada mais. De fato, minhas palavras nem sequer são dirigidas a você, especificamente, mas eu falo em geral, sobre a forma em que usamos os termos e os conceitos a que fazem referência. Claro que eu não sou poeta nem filósofo, e o meu interesse não se concentra na palavra em si mesmas, mas o que me importa é a identificação dos conceitos que estariam associadas.

Conheço a conversa que liga; em geral chão atender ao teu trabalho e te considero uma referência como nutricionista. No entanto, isso não significa que eu não esteja de acordo com a forma que você usa certos termos. Quando você diz, por exemplo, que mesmo que você não seja vegetariano sim, você pode “comer vegano” um dia. Não é um tipo de terminologia que seja exclusiva para si, claro, mas muita gente se expressa da mesma forma. Mas eu isso eu considero errado, por uma série de razões, e minha intenção era demonstrar e explicar por que o considero assim. Da mesma forma que não estou de acordo com dizer que alguém é “omnívoro” por incluir produtos de origem animal em sua dieta. Onívoros somos todos, pela fisiologia. É uma condição biológica do organismo; não é um tipo de dieta.

Como tentei apontar anteriormente, essa pessoa que qualificam de vegan, não tem por que ser vegetariano. Não se identifica como tal, nem faz menção ao veganismo. De fato, é provável que não seja. Ou talvez sim. Mas o caso é que suas palavras não têm relação com o veganismo. Assim o diga, e não acredito que haja necessidade de repeti-lo.

Eu posso estar certo ou eu posso estar errado no que eu digo. Mas estou convencido de que isto não tem que ver com a “atacar” a ninguém, nem nada que ver com ataques pessoais de qualquer tipo. Obviamente, considero que a minha proposta sobre o uso dos termos, em relação com os conceitos que informam, é a mais adequada, por respeitar a lógica e o uso previsto dos termos, seja por tradição ou por definição. Seja como for, eu acreditei que eu poderia falar sobre isso civilizadamente neste fórum. Também pode ser que me engane sobre isso.

Aliás, eu não penso que haja pessoas extremistas. Estou de acordo em que pode haver idéias ou atitudes, que poderiam ser qualificados de extremistas; embora se trate de um termo relativo. Mas parece-me duvidoso que uma pessoa como tal seja extremista por natureza. A minha posição é que nós fazemos bem em analisar as idéias e as ações das pessoas; mas que não devemos julgar as pessoas como tais.

Bom, lamento que se tenha magoado o meu comentário. Não estava na minha finalidade, o incomodar ninguém, nem promover uma polêmica, mas apenas manifestar uma nota de esclarecimento. Tentarei analisar e melhorar a minha maneira de me expressar.

Uma saudação

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Por que os ecologistas querem proibir os transgênicos?

Campanha contra os transgênicos promovida pelo Greenpeace

O debate entre o ecológico e o gm sempre levantar bolhas, arrasta paixões e argumentações morais para além da própria legislação e das evidências científicas. Por este motivo é imprescindível no âmbito social e político, e se deixa ver, por isso, as propostas para as eleições europeias. Tal e como você pode ver neste post de José Miguel Mulet, ou este ótimo trabalho de recolha de propostas políticas que tem feito Firmino Grodira.

É por este motivo, que eu abri as portas desta casa a um amigo, companheiro de voluntariado e simpatizante de EQUO, José Amendoeira, com o que sempre tenho discussões interessantes sobre este e outros domínios. Dentro destas palestras sempre lhe fui achacado o porquê da proibição de uma tecnologia, não já o de uma regulação, mas uma supressão taxativo. Aqui está sua resposta, se você quiser lançar a vossa opinião e parece a respeito.

Política, ciência e rigor

A proibição do uso de transgênicos na agricultura é uma aposta com sucesso de massas que diferencia o Partido Verde Europeu, representado em Portugal por EQUO. A força da proposta costuma gerar nas pessoas pertencentes à comunidade científica e divulgadora (como ocorre com o autor deste blog) uma rejeição irreconciliável com os partidos verdes, que é a mancha que careciam de rigor. O seguinte artigo é orientado a explicar por que o fundo de abordagens de estas formações não são acientíficos, mas POLÍTICOS. A NECESSIDADE de chegar ao grande público para levar adiante propostas que defendem os mais fracos é a necessidade de simplificar as argumentações. E se isso não o lançam em rosto a Pablo Iglesias, nós não merecemos um tratamento diferente. Porque o que eu vou tentar defender aqui é que tudo gira em torno de uma questão: no actual quadro económico e legislativo a nível internacional, a potencialidade para que os transgênicos aumentam o fosso entre ricos e pobres (e com ela a fome, a subnutrição, desnutrição), é muito maior do que a de que a reduzam.

Compartilho todas as abordagens a cerca de transgénicos que se têm feito neste blog. Que leites, compartilho todas as abordagens que se têm feito neste blog. Com isso quero lembrar-se especialmente artigos como “Às vezes, comer é um ato político”, ou a excelente iniciativa de Dietética, sem Patrocinadores. Espero com isso poder poupar toda a explicação de que entendo que a tecnologia transgênica na alimentação não é um risco por si mesma, para a saúde, e também que o que se é um risco enorme para a nossa saúde, é a Indústria Alimentar como a conhecemos hoje.

Cultivo de arroz transgénico no Irã (Foto: Fundação Antama)

Quando desde os movimentos e partidos ecologistas garantimos que a não proibição dos transgênicos na agricultura (sempre só na agricultura, nunca falamos de outros campos, onde defendemos e apoiamos a sua utilização) é um risco para a saúde pública, temos a consciência tranquila de estar defendendo uma verdade, e com ela ao cidadão. E por que essa segurança? A trajetória das empresas que atualmente operam o mercado dos transgênicos avalia esta postura. Neste ponto, a comunidade científica há um esclarecimento: “então, o que se deve regular é o marco de propriedade intelectual, econômico e de impacto ambiental, porque esses problemas ocorrem em outros setores da mesma forma”. Isso estaria bem. É de fiar fino. E por isso, de momento, impossível. A peculiaridade do sector agro-alimentar é que é que é o da Aldeia Gaulesa, o último bastião que resta para poder ser (o que não quer dizer que assim se faça, mas você ainda pode fazer assim) seres humanos fora do controle dos grandes poderes financeiros. A proibição do uso de transgênicos, repito, no âmbito económico e legal atual, está diretamente ligada à possibilidade de desenvolver uma Soberania Alimentar dos povos.

Um exemplo para ilustrar isso que, infelizmente, já nos foi pego tarde, e que eu me sinto autorizado a desgranar. Um dos principais desencadeadores da crise foi a enorme construção de obra pública. E foi posto o acento, mais especificamente em AVEs, aeroportos e auto-estradas. Nenhuma das 3 coisas é má por si mesma. É mais uma rede de Alta Velocidade, aeroportos e auto-estradas bem combinado e conforme o orçamento corretamente teriam impactos positivos na redução do Impacto Ambiental e o fosso entre ricos e pobres. Mas era de se esperar que, conhecendo a estrutura clientelista de empresas construtoras e os poderes públicos de nosso país, esta aposta da obra pública de alta tecnologia tivesse como resultado o que temos vivido. Para evitar isso, poderíamos ter feito duas coisas: ou reformar a Lei de Contratos do Setor Público, a Lei de Avaliação de Impacto Ambiental, o sistema financeiro, o tribunal de contas e, se me apuran o sistema judicial e a Lei Eleitoral, ou ter pressionado forte na realidade de que as infra-estruturas trariam consigo um empobrecimento da cidadania, como afirmam alguns coletivos. Deixamos que esses grupos perderam a batalha, sem saber que a batalha era também (sobretudo) a nossa.

No caso da alimentação, e em outros setores, como roupas, tentou, sem sucesso, incluir a obrigação a nível na rotulagem a nível europeu em questões como, por exemplo, as condições de trabalho em que se realizou o produto: não foi possível. Não temos, no momento, com suficiente apoio social como para FORÇAR os políticos a colocar medidas, a qualquer preço, para defender os direitos das pessoas a um trabalho digno, ou a uma repartição justa dos benefícios. Da mesma forma, derrotar as grandes multinacionais no campo da saúde tem se mostrado possível.

Mas as sanções não foram grandes o suficiente para eliminar da equação da soberania alimentar para as empresas criminosos. E eu acho que é mais do que necessário lembrar o difícil e traumática do que foi a experiência de pessoas do que em ações de ativismo ambientalista tem enfrentado grandes poderes. Quando se luta, dia a dia, se há estratégia. Muito loucos estão para lutar com Golias, como para ir para a guerra sem um plano de massas.

Arroz dourado (Foto: Fundação Antama)

“Essas políticas de proibição reduzem a possibilidade de levar a cabo investigações públicas, como a do arroz dourado, que poderiam melhorar a situação de desnutrição de milhões de meninas e meninos”. Agora você pode salvar essas vidas. Nós já temos a tecnologia para melhorar essas condições de vida. O café é um alimento básico, mas representa um experimento em muitas áreas do mundo onde há problemas de desnutrição. Poderiam plantar coisas mais úteis para a sua alimentação. E arroz dourado, se houver. Mas não o fazem. Questão de propriedade. Questão de economia. Questão de política.

Como eu já disse, eu compartilho a visão deste blog, e em especial a sua visão pelo rigor científico. Também preferiria o rigor ilibada na política. Eu gostaria de não ouvir argumentos simplificados: não ter que ouvir “a Alemanha tem culpa”, “os políticos são corruptos”, “os funcionários públicos são uns incompetentes”. Mas o que eu ouço. E eu entendo a mensagem mais complexo do que há por trás. E eu sei que há pessoas em que posso encontrar uma resposta mais complexa do que o que a mensagem a priori expressam. “Os países periféricos, estamos expostos às decisões da presidência da banca, que agora se reúne no Bundesbank”, “Há uma acumulação de casos de corrupção ligada aos partidos políticos, que estão cartelizados”, “a introdução de estímulos de trabalho para funcionários públicos melhoraria seu desempenho”.

Eu não sou uma exceção, nem muito menos, dentro de EQUO ou o Partido Verde Europeu. Somente posso dizer-a nos conhecer mais de perto a encontrar as respostas completas. Mas, sobretudo, para que sejais ativistas apaixonados, defendendo uma investigação pública, livre de condicionamentos e pressões, venham de onde vierem. Uma Soberania Científica. E defender um mundo mais justo, em que se respeitem e garantam os direitos de todas as pessoas, as de hoje e as de amanhã. Tudo isso, e apenas isso, é a ecologia política. Proponho que vamos juntos nessa batalha que está sendo travada, em boa medida, no Parlamento Europeu, e que você pode restaros ou sumaros o próximo dia 25 de Maio.

Colaboração de José Amendoeira é estudante de Engenharia de Caminhos, Canais e Portos da UCLM e simpatizante de os VERDES.

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Por que o feijão roscón de reis é marrom?

Típica típica do natal: um rolo torcido pronto para servir, partido em pedaços qual bilhetes, passagens que contêm a loteria um brinquedo que pode custar um empaste ou de um feijão que implica pagar o doce o ano que vem, extraída no seu caso o “tontolaba” ou o “bobo do feijão” de plantão.

Seguido por uma típica discussão de quem se coloca a coroa e o pouco apetitoso que parece o feijão, de cor marrom, que muitas vezes em dúvida se é uma pedra… é mais, mesmo em algumas ocasiões a própria pastelaria deu o feijão por uma pedra de verdade e não incluem presente (como é o caso da minha família). Parece ser que nós preenchido roscones acima de nossas possibilidades.

Em seguida, uma pergunta no ar porque o feijão é marrom?
A resposta, como em muitas outras ocasiões, nos dá a bioquímica.

Não há que ter muita experiência na cozinha para perceber que quando se trocean algumas frutas ou legumes, vemos que após alguns minutos escurecer. Nota-no caso de cogumelos, batatas, bananas, peras, maçãs… Este fenômeno é devido a uma reação química chamada de escurecimento enzimático.

O escurecimento enzimático é uma oxidação (o que ocorre na presença de oxigênio) envolvendo uma enzimas chamadas polifenoloxidasas. Estas enzimas são encontrados em muitos seres vivos, os humanos forma, por exemplo, pigmentos capilares, e as plantas têm uma função protetora contra ataques microbiológicos, que teriam lugar quando o vegetal sofre uma agressão física, como cortes ou choque.

Em reação, os compostos fenólicos do vegetal, através da ação de enzimas, que se transformam em quinonas, que posteriormente se associam em melaninas, produzindo cores bege ruivos e castanhos.

As polifenoloxidasas está armazenadas nos cloroplastos das plantas, e os compostos fenólicos nas vesículas, por isso que, quando o vegetal é cortado, triturado, descongelação ou sofre uma agressão, entram em contato e a reação se inicia de imediato.

O escurecimento enzimático constitui um handicap na indústria de alimentos, já que esta alteração cromática supõe uma diminuição na qualidade visual do produto, tornando-o menos atraentes para quem vai ingerimos a partir; também está associada a uma diminuição do valor nutricional, já que alguns antioxidantes dos alimentos os investimos em parar essa reação antes de serem consumidos. No entanto, em outros processos, como na secagem de frutas, bebidas, chás, cacau… a reação é procurada já que fornece as características desejadas do produto final.

No caso específico do rolo torcido, a exposição ao ar continuada e as mudanças em temperaturas de refrigeração, propiciam esta mudança na coloração do feijão. Por isso, o seu aspecto acastanhado não significa que são usados necessariamente sementes de má qualidade, mas é menos apetitoso que o verde e fresco, a menos que estejas a preparar uns michirones locais.

Como já vos avisé pelo twitter, você pode manter as tradições que quiser em casa, mas introduzir o feijão no rolo torcido não conta como uma porção de legumes, a fruta frosty também não. Será que Vale?

Para evitar o escurecimento enzimático no resto de alimentos que você usa em casa, e que não ficam escuras alimentos tão sensíveis como a banana, cogumelos, peras, maçãs… você pode fazê-lo, tendo em conta os factores que intervêm na reacção (contato com oxigênio e enzimas).

Mergulhar o alimento em água, evita-se o contato do oxigênio com a superfície de corte. A acidez também diminui a reação, como os antioxidantes, por isso vinagre e limão ajudam a reduzir a síntese destes pigmentos.

Por último, está a opção do branqueamento, submeter a um golpe de calor (água ou vapor de água), os legumes durante alguns segundos para destruir as enzimas e assim desnaturalizarlas, este é o motivo por que claream muitas frutas e vegetais antes de preservá-las em refrigeração ou congelamento.

Que você tenha um feliz 2013, e não iniciamos com muitos “marrons”.

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Por que o açúcar não melhora a nossa atenção?

Eu vim a este artigo de acaso e, embora seja antigo, não posso deixar de comentar, já que me são curiosas afirmações como “se começa a encontrar associação com o TDAH e a alimentação” ou “a dieta se destaca como um fator fundamental para o desenvolvimento desta condição”. É uma pena que não se possa aceder ao artigo em questão (pelo menos a mim não me deixa), pois eu gostaria de ver as variáveis que foram controlado e as que se deixaram fora. Relacionar o TDAH ORIGEM com a alimentação é enganoso e alarmista, e não o digo eu, como psicóloga, há muitas resenhas metanalíticas sobre o tema. E acho que todos concordamos que os metanalisis são mais concludentes do que um estudo isolado.

A hipótese até a data mais garantida é a genética, sem desconsiderar outras variáveis que não afetam a todos os filhos por igual, como a ingestão de álcool por parte da mãe durante a gravidez ou alergias graves, combinadas com estresores POSSAM desempenhar um papel causal em um pequeno grupo de crianças.
Que é retirado como conclusão, assim hiper geral de todos os metaanalisis? Que o TDAH tem uma etiologia multicausal, com vulnerabilidade biológica (disfunção dos lobos frontais), mas também uma marcada influência psicossocial: o mau funcionamento familiar durante os primeiros anos da infância, promove o aparecimento do transtorno. A dieta até onde se sabe, pode influenciar o curso, por isso o tratamento integrado do TDAH se tenta controlar, já que, além da ingestão de metilfenidato altera as sensações de fome dessas crianças (que não têm fome até à tarde, lhes passa o efeito e se dão compulsão).

Além disso, fala de “adolescentes com TDAH” (insisto, não consegui acessar o artigo e gostaria muito de poder verificar a idade desses “adolescentes”). Relacionar a ORIGEM do TDAH com a dieta EM ADOLESCENTES é um erro, o TDAH não é um transtorno que surge na adolescência, por causa da dieta que foi conduzido, é geralmente diagnosticada antes dos 7 anos de anos e os sintomas costumam estar presentes sobre os 5, mas se torna mais evidente quando chegam ao colégio. Provavelmente esses adolescentes já tinham TDAH em crianças e esse TDAH, ou o tratamento para o mesmo mal conduzido, provocam uma alimentação deficiente que agrava o curso da caixa.

Para ir terminando, não nego que uma má alimentação alimentação influa no curso do TDAH, ou até mesmo na origem do mesmo em um pequeno grupo de CRIANÇAS que, unido a outras causas (genéticas, familiares…) estão a causar disfunção que leva o transtorno. O que não me parece bem é lançar mensagens provenientes dos alarmistas do tipo “a dieta se destaca como um fator FUNDAMENTAL para o desenvolvimento desta condição”, como se a dieta fosse a única causa, com base apenas em um artigo e não em matanalisis, que demonstraram etiologia multicausal.

No fim, um tochazo enorme e provavelmente desnecessário que me vi na necessidade de escrever. Para dizer toda esta coluna de coisas me baseio em dois livros:
– Wicks-Nelson, Rita. Psicopatologia da criança e do adolescente
– Cavalo Vicente, E. Manual de Psicologia Clínica Infantil e Adolescente

De resto parabéns pelo seu blog, o qual me parece muito útil e necessário.…

Incompatibilidade moral nutrição e dietética em frente à ciência e tecnologia de alimentos

No lado esquerdo, com slip verde e 195 créditos de peso: Nutrição Humana e Dietética. No lado direito, com slip vermelho e 146 créditos de peso: Ciência e Tecnologia de Alimentos.

Tudo é culpa minha, na verdade, não há luta, nem tem que haver confronto, mas eu trouxe a minha ring pessoal de moralidade. O que em princípio parece uma continuação de estudos normal, esconde mais diferenças além de suas matérias e as suas saídas. É normal que um nutricionista ao terminar sua carreira é levantada (referia, porque agora se transforma em grau com o EEES) estudar este segundo ciclo, é um novo mercado totalmente paralelo e um plus em formação. Em suma, nos abre mais portas. De fato, para a sociedade é muito construtivo, ter uma visão global dessas duas disciplinas. Saber que nossos alimentos vêm com esta dupla consideração a nossa despensa é quanto menos, uma garantia.

O dilema está, portanto, em uma coisa interna, na formação, é uma questão de perspectiva, mas os que viveram a partir de dentro o identificam melhor. Refiro-Me ao espírito e a orientação.

O que eu quero dizer com isso? Pois nutrição e dietética parte com uma base de saúde muito forte, ele nos implora (que não ensina) durante toda a corrida para “servir” ao paciente, que é o protagonista, seus hábitos, seus gostos, suas preferências… e, a partir daí, temos que fazer o quebra-cabeça de SUA dieta. O objetivo máximo: “Que o paciente seja autônomo, que não nos é necessário, que você tenha aprendido, que não tenha que recorrer nem a pessoas ou produtos desnecessariamente”. Em contrapartida, neste mês que frequentam as aulas que de momento posso de CTA umas das frases que mais ouvi foi “há que tornar o produto atraente”, “é um plus que você tem de vender ao cliente”, “você tem que buscar novas formas de entrar no mercado” e, finalmente, muitas outras fórmulas que poderia resumir como a criação de necessidades ao cliente.

Não quero demonizar a licenciatura, pelo contrário, está me encantando, estou aprendendo muito, só queria fazer uma chamada de atenção para que o seu espírito tem parcialmente “vendido”, pode ser por causa da faculdade (Farmácias, outra bela ciência que com a agressividade de hoje em dia transformou o boticário no comercial), em suma, eu sinto falta da palavra paciente, em vez de cliente. Não quero dizer com isso que sejam duas visões incompatíveis, nem muito menos (há possibilidades de a indústria alimentar, que se canalizam de forma exemplar).

Só queria chamar a atenção sobre a fina cruzamento que existe entre a autonomia do paciente e as possibilidades da tecnologia alimentar, neste espaço há uma sinergia e o paciente-cliente beneficia em todos os aspectos. Onde radicaría o erro? Nesse grande espaço onde os nutricionistas se negasen em retumbante as possibilidades da indústria, e onde os tecnológos procuram desculpas e “armadilhas” para vender o produto.

Queridos colegas, lá estamos nós para calibrar em que situações os nossos pacientes têm que recorrer a plus do mercado, e quando tirar a venda um verdadeiro produto e não uma necessidade. Não ajudar-nos a evitar desnecessariamente na armadilha de marketing.

Se você gostou compartilhe e divulgue!…