Atendimentos durante período junino chegam a 60 no Hospital da Restauração
Em uma época na qual fogueiras e fogos de artifício são elementos fundamentais à magia dos festejos juninos, é importante estar atento aos cuidados necessários para evitar acidentes que transformem a diversão em transtorno. É durante o São João que o número de ocorrências com fogos de artifício e fogueira crescem. No centro de queimados do Hospital da Restauração (HR), unidade de referência no Estado, atendimentos dessa natureza que atingem o quantitativo de oito por mês, chegam a 60 durante os festejos juninos. Até o última segunda-feira, 30 pessoas foram atendidas no HR. Só no último dia 12, na véspera do Dia de Santo Antônio, três crianças e um adulto caíram dentro de fogueiras.
“Queimaduras acontecem durante todo o ano. Só que no período junino as pessoas brincam com fogos e fogueira de forma oficial”, explicou o chefe do setor de queimados do HR, Marcos Barreto, que considera alta a quantidade de atendimentos realizada até então. “Os números atuais são muito alarmantes, pois nós nem chegamos no São João, ainda”, pontuou o médico que considera a convergência com a Copa do Mundo um agravante. Nessas ocasiões, o número de ocorrências com fogos de artifício duplica. Ano passado foram registradas 40 ocorrências no mês de junho, enquanto que na última Copa do Mundo, 2006, neste mesmo período, 94 pessoas passaram pelo HR.
Apesar do que muitas pessoas acreditam, uma queimadura não se trata de uma lesão simples e requer muita atenção, segundo Barreto. “Queimaduras são muito complexas, deixa sequelas, a recuperação é difícil e pode levar até a óbito. Por menor que seja, uma ferida dessa pode se transformar em um grande problema caso não seja tratado de forma correta”, explicou o médico, que acredita na inocência de fogos e fogueira até o momento em que eles saem da “prateleira”. “Para evitar queimaduras é essencial ter bom senso. Não podemos acabar com um tradição, mas é possível ter cuidado, pois uma queimadura é previsível e, principalmente, prevenível. Todo mundo sabe que isso pode acontecer”, acrescentou Barreto.
Os cuidados devem começar no momento da compra dos fogos e de ascender a fogueira. Os fogos devem ser comprados em local confiável e os usuários devem ler as instruções de uso com cuidado. As crianças que soltem fogos devem estar assistidas por adultos e não devem ficar nas periferias da fogueira. “É importante também, que os adultos que consumam bebidas alcoólicasa não pulem fogueira e não brinquem com fogos, pois os reflexos ficam mais lentos”, lembrou Barreto.
Prevenir é melhor do que remediar, mas em casos de acidentes é importante que as pessoas atendam a vítima com rapidez e eficiência. Marcos Barreto orienta as pessoas a lavarem o local atingido com água corrente antes de envolvê-lo em um pano limpo e encaminhar o ferido a unidade hospitalar. “Nada de passar pasta de dente, clara de ovo, talco, pelo de gato ou gelo na queimadura, isso, na maioria das vezes só faz agravar a lesão”, orientou o médico. Para vítimas de queimaduras, o setor de queimados, que funciona independentemente do hospital, tem 40 leitos e uma equipe de cerca de 100 profissionais.
Fonte: Folha de Pernambuco