Sistema VAC, de origem norte-americana, estimula a criação de um tecido no local
Após ser atropelado por um carro, o autônomo Carlos José da Silva, 25, só não passou por um procedimento de amputação de parte da perna esquerda porque a equipe médica tinha em seu alcance um tratamento diferenciado. No dia 1° de maio deste ano, quando deu entrada no Hospital Metropolitano Norte - Miguel Arraes, em Paulista, o quadro de saúde dele era considerado gravíssimo, com fraturas expostas e quase todo o tecido do membro arrancado.
Dentro de um universo em que 1.570 pessoas morreram vítimas de acidente de trânsito em Pernambuco, somente em 2009, Carlos José pode dizer que a sorte o acompanha. Ele foi atendido pelo primeiro grupo multidisciplinar de profissionais especializados no tratamento de feridas formado no HMA. Já a terapia que evitou o procedimento extremo é o Sistema VAC (Fechamento Assistido a Vácuo, na tradução da sigla), tecnologia norte-americana que estimula a criação de tecido no local da fratura ou ferida.
Referência em ortopedia, o HMA resolveu adotar a tecnologia regularmente depois de verificar a grande demanda - 69,5% do total de todos os tipos de cirurgias realizadas e 40,5% das internações são na área de ortopedia, nesses oito meses de funcionamento da unidade. “Cerca de 90% desses acidentes envolvem motociclistas, que são os mais vulneráveis. Em pacientes muito graves, com fratura exposta, perda de tecido e pele, chega a quase 100% a chance de amputação”, pontua o cirurgião-plástico e um dos integrantes do grupo de tratamento de feridas, Milton Rocha.
O curativo VAC é composto por esponjas junto a filmes adesivos transparentes que são envolvidos na parte ferida, ligados por um tubo a um aparelho de aspiração. O resultado disso é o crescimento do tecido em um menor período de tempo, uma terapia mais prática, menos dolorida e com maior eficiência de cicatrização. Ao contrário do curativo comum, feito através de gazes e medicamentos (que precisam da renovação do material duas vezes por dia por vários meses), o VAC funciona por 24 horas direto e a troca só é feita a cada quatro dias.
“Todos os grandes hospitais do mundo utilizam essa tecnologia. No Brasil, ainda são poucos os hospitais públicos que fazem uso. No Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), há alguns anos já é utilizado. Em Pernambuco, existem casos isolados nas redes públicas e privadas. Por isso, o Miguel Arraes é pioneiro ao adotar o procedimento regularmente no tratamento desses pacientes mais graves”, comenta Milton.
Fonte: Folha de Pernambuco