Categoria: Metabolismo

Por que o açúcar não melhora a nossa atenção?

Eu vim a este artigo de acaso e, embora seja antigo, não posso deixar de comentar, já que me são curiosas afirmações como “se começa a encontrar associação com o TDAH e a alimentação” ou “a dieta se destaca como um fator fundamental para o desenvolvimento desta condição”. É uma pena que não se possa aceder ao artigo em questão (pelo menos a mim não me deixa), pois eu gostaria de ver as variáveis que foram controlado e as que se deixaram fora. Relacionar o TDAH ORIGEM com a alimentação é enganoso e alarmista, e não o digo eu, como psicóloga, há muitas resenhas metanalíticas sobre o tema. E acho que todos concordamos que os metanalisis são mais concludentes do que um estudo isolado.

A hipótese até a data mais garantida é a genética, sem desconsiderar outras variáveis que não afetam a todos os filhos por igual, como a ingestão de álcool por parte da mãe durante a gravidez ou alergias graves, combinadas com estresores POSSAM desempenhar um papel causal em um pequeno grupo de crianças.
Que é retirado como conclusão, assim hiper geral de todos os metaanalisis? Que o TDAH tem uma etiologia multicausal, com vulnerabilidade biológica (disfunção dos lobos frontais), mas também uma marcada influência psicossocial: o mau funcionamento familiar durante os primeiros anos da infância, promove o aparecimento do transtorno. A dieta até onde se sabe, pode influenciar o curso, por isso o tratamento integrado do TDAH se tenta controlar, já que, além da ingestão de metilfenidato altera as sensações de fome dessas crianças (que não têm fome até à tarde, lhes passa o efeito e se dão compulsão).

Além disso, fala de “adolescentes com TDAH” (insisto, não consegui acessar o artigo e gostaria muito de poder verificar a idade desses “adolescentes”). Relacionar a ORIGEM do TDAH com a dieta EM ADOLESCENTES é um erro, o TDAH não é um transtorno que surge na adolescência, por causa da dieta que foi conduzido, é geralmente diagnosticada antes dos 7 anos de anos e os sintomas costumam estar presentes sobre os 5, mas se torna mais evidente quando chegam ao colégio. Provavelmente esses adolescentes já tinham TDAH em crianças e esse TDAH, ou o tratamento para o mesmo mal conduzido, provocam uma alimentação deficiente que agrava o curso da caixa.

Para ir terminando, não nego que uma má alimentação alimentação influa no curso do TDAH, ou até mesmo na origem do mesmo em um pequeno grupo de CRIANÇAS que, unido a outras causas (genéticas, familiares…) estão a causar disfunção que leva o transtorno. O que não me parece bem é lançar mensagens provenientes dos alarmistas do tipo “a dieta se destaca como um fator FUNDAMENTAL para o desenvolvimento desta condição”, como se a dieta fosse a única causa, com base apenas em um artigo e não em matanalisis, que demonstraram etiologia multicausal.

No fim, um tochazo enorme e provavelmente desnecessário que me vi na necessidade de escrever. Para dizer toda esta coluna de coisas me baseio em dois livros:
– Wicks-Nelson, Rita. Psicopatologia da criança e do adolescente
– Cavalo Vicente, E. Manual de Psicologia Clínica Infantil e Adolescente

De resto parabéns pelo seu blog, o qual me parece muito útil e necessário.…

Incompatibilidade moral nutrição e dietética em frente à ciência e tecnologia de alimentos

No lado esquerdo, com slip verde e 195 créditos de peso: Nutrição Humana e Dietética. No lado direito, com slip vermelho e 146 créditos de peso: Ciência e Tecnologia de Alimentos.

Tudo é culpa minha, na verdade, não há luta, nem tem que haver confronto, mas eu trouxe a minha ring pessoal de moralidade. O que em princípio parece uma continuação de estudos normal, esconde mais diferenças além de suas matérias e as suas saídas. É normal que um nutricionista ao terminar sua carreira é levantada (referia, porque agora se transforma em grau com o EEES) estudar este segundo ciclo, é um novo mercado totalmente paralelo e um plus em formação. Em suma, nos abre mais portas. De fato, para a sociedade é muito construtivo, ter uma visão global dessas duas disciplinas. Saber que nossos alimentos vêm com esta dupla consideração a nossa despensa é quanto menos, uma garantia.

O dilema está, portanto, em uma coisa interna, na formação, é uma questão de perspectiva, mas os que viveram a partir de dentro o identificam melhor. Refiro-Me ao espírito e a orientação.

O que eu quero dizer com isso? Pois nutrição e dietética parte com uma base de saúde muito forte, ele nos implora (que não ensina) durante toda a corrida para “servir” ao paciente, que é o protagonista, seus hábitos, seus gostos, suas preferências… e, a partir daí, temos que fazer o quebra-cabeça de SUA dieta. O objetivo máximo: “Que o paciente seja autônomo, que não nos é necessário, que você tenha aprendido, que não tenha que recorrer nem a pessoas ou produtos desnecessariamente”. Em contrapartida, neste mês que frequentam as aulas que de momento posso de CTA umas das frases que mais ouvi foi “há que tornar o produto atraente”, “é um plus que você tem de vender ao cliente”, “você tem que buscar novas formas de entrar no mercado” e, finalmente, muitas outras fórmulas que poderia resumir como a criação de necessidades ao cliente.

Não quero demonizar a licenciatura, pelo contrário, está me encantando, estou aprendendo muito, só queria fazer uma chamada de atenção para que o seu espírito tem parcialmente “vendido”, pode ser por causa da faculdade (Farmácias, outra bela ciência que com a agressividade de hoje em dia transformou o boticário no comercial), em suma, eu sinto falta da palavra paciente, em vez de cliente. Não quero dizer com isso que sejam duas visões incompatíveis, nem muito menos (há possibilidades de a indústria alimentar, que se canalizam de forma exemplar).

Só queria chamar a atenção sobre a fina cruzamento que existe entre a autonomia do paciente e as possibilidades da tecnologia alimentar, neste espaço há uma sinergia e o paciente-cliente beneficia em todos os aspectos. Onde radicaría o erro? Nesse grande espaço onde os nutricionistas se negasen em retumbante as possibilidades da indústria, e onde os tecnológos procuram desculpas e “armadilhas” para vender o produto.

Queridos colegas, lá estamos nós para calibrar em que situações os nossos pacientes têm que recorrer a plus do mercado, e quando tirar a venda um verdadeiro produto e não uma necessidade. Não ajudar-nos a evitar desnecessariamente na armadilha de marketing.

Se você gostou compartilhe e divulgue!…