Por que os ecologistas querem proibir os transgênicos?

Por que os ecologistas querem proibir os transgênicos?

Campanha contra os transgênicos promovida pelo Greenpeace

O debate entre o ecológico e o gm sempre levantar bolhas, arrasta paixões e argumentações morais para além da própria legislação e das evidências científicas. Por este motivo é imprescindível no âmbito social e político, e se deixa ver, por isso, as propostas para as eleições europeias. Tal e como você pode ver neste post de José Miguel Mulet, ou este ótimo trabalho de recolha de propostas políticas que tem feito Firmino Grodira.

É por este motivo, que eu abri as portas desta casa a um amigo, companheiro de voluntariado e simpatizante de EQUO, José Amendoeira, com o que sempre tenho discussões interessantes sobre este e outros domínios. Dentro destas palestras sempre lhe fui achacado o porquê da proibição de uma tecnologia, não já o de uma regulação, mas uma supressão taxativo. Aqui está sua resposta, se você quiser lançar a vossa opinião e parece a respeito.

Política, ciência e rigor

A proibição do uso de transgênicos na agricultura é uma aposta com sucesso de massas que diferencia o Partido Verde Europeu, representado em Portugal por EQUO. A força da proposta costuma gerar nas pessoas pertencentes à comunidade científica e divulgadora (como ocorre com o autor deste blog) uma rejeição irreconciliável com os partidos verdes, que é a mancha que careciam de rigor. O seguinte artigo é orientado a explicar por que o fundo de abordagens de estas formações não são acientíficos, mas POLÍTICOS. A NECESSIDADE de chegar ao grande público para levar adiante propostas que defendem os mais fracos é a necessidade de simplificar as argumentações. E se isso não o lançam em rosto a Pablo Iglesias, nós não merecemos um tratamento diferente. Porque o que eu vou tentar defender aqui é que tudo gira em torno de uma questão: no actual quadro económico e legislativo a nível internacional, a potencialidade para que os transgênicos aumentam o fosso entre ricos e pobres (e com ela a fome, a subnutrição, desnutrição), é muito maior do que a de que a reduzam.

Compartilho todas as abordagens a cerca de transgénicos que se têm feito neste blog. Que leites, compartilho todas as abordagens que se têm feito neste blog. Com isso quero lembrar-se especialmente artigos como “Às vezes, comer é um ato político”, ou a excelente iniciativa de Dietética, sem Patrocinadores. Espero com isso poder poupar toda a explicação de que entendo que a tecnologia transgênica na alimentação não é um risco por si mesma, para a saúde, e também que o que se é um risco enorme para a nossa saúde, é a Indústria Alimentar como a conhecemos hoje.

Cultivo de arroz transgénico no Irã (Foto: Fundação Antama)

Quando desde os movimentos e partidos ecologistas garantimos que a não proibição dos transgênicos na agricultura (sempre só na agricultura, nunca falamos de outros campos, onde defendemos e apoiamos a sua utilização) é um risco para a saúde pública, temos a consciência tranquila de estar defendendo uma verdade, e com ela ao cidadão. E por que essa segurança? A trajetória das empresas que atualmente operam o mercado dos transgênicos avalia esta postura. Neste ponto, a comunidade científica há um esclarecimento: “então, o que se deve regular é o marco de propriedade intelectual, econômico e de impacto ambiental, porque esses problemas ocorrem em outros setores da mesma forma”. Isso estaria bem. É de fiar fino. E por isso, de momento, impossível. A peculiaridade do sector agro-alimentar é que é que é o da Aldeia Gaulesa, o último bastião que resta para poder ser (o que não quer dizer que assim se faça, mas você ainda pode fazer assim) seres humanos fora do controle dos grandes poderes financeiros. A proibição do uso de transgênicos, repito, no âmbito económico e legal atual, está diretamente ligada à possibilidade de desenvolver uma Soberania Alimentar dos povos.

Um exemplo para ilustrar isso que, infelizmente, já nos foi pego tarde, e que eu me sinto autorizado a desgranar. Um dos principais desencadeadores da crise foi a enorme construção de obra pública. E foi posto o acento, mais especificamente em AVEs, aeroportos e auto-estradas. Nenhuma das 3 coisas é má por si mesma. É mais uma rede de Alta Velocidade, aeroportos e auto-estradas bem combinado e conforme o orçamento corretamente teriam impactos positivos na redução do Impacto Ambiental e o fosso entre ricos e pobres. Mas era de se esperar que, conhecendo a estrutura clientelista de empresas construtoras e os poderes públicos de nosso país, esta aposta da obra pública de alta tecnologia tivesse como resultado o que temos vivido. Para evitar isso, poderíamos ter feito duas coisas: ou reformar a Lei de Contratos do Setor Público, a Lei de Avaliação de Impacto Ambiental, o sistema financeiro, o tribunal de contas e, se me apuran o sistema judicial e a Lei Eleitoral, ou ter pressionado forte na realidade de que as infra-estruturas trariam consigo um empobrecimento da cidadania, como afirmam alguns coletivos. Deixamos que esses grupos perderam a batalha, sem saber que a batalha era também (sobretudo) a nossa.

No caso da alimentação, e em outros setores, como roupas, tentou, sem sucesso, incluir a obrigação a nível na rotulagem a nível europeu em questões como, por exemplo, as condições de trabalho em que se realizou o produto: não foi possível. Não temos, no momento, com suficiente apoio social como para FORÇAR os políticos a colocar medidas, a qualquer preço, para defender os direitos das pessoas a um trabalho digno, ou a uma repartição justa dos benefícios. Da mesma forma, derrotar as grandes multinacionais no campo da saúde tem se mostrado possível.

Mas as sanções não foram grandes o suficiente para eliminar da equação da soberania alimentar para as empresas criminosos. E eu acho que é mais do que necessário lembrar o difícil e traumática do que foi a experiência de pessoas do que em ações de ativismo ambientalista tem enfrentado grandes poderes. Quando se luta, dia a dia, se há estratégia. Muito loucos estão para lutar com Golias, como para ir para a guerra sem um plano de massas.

Arroz dourado (Foto: Fundação Antama)

“Essas políticas de proibição reduzem a possibilidade de levar a cabo investigações públicas, como a do arroz dourado, que poderiam melhorar a situação de desnutrição de milhões de meninas e meninos”. Agora você pode salvar essas vidas. Nós já temos a tecnologia para melhorar essas condições de vida. O café é um alimento básico, mas representa um experimento em muitas áreas do mundo onde há problemas de desnutrição. Poderiam plantar coisas mais úteis para a sua alimentação. E arroz dourado, se houver. Mas não o fazem. Questão de propriedade. Questão de economia. Questão de política.

Como eu já disse, eu compartilho a visão deste blog, e em especial a sua visão pelo rigor científico. Também preferiria o rigor ilibada na política. Eu gostaria de não ouvir argumentos simplificados: não ter que ouvir “a Alemanha tem culpa”, “os políticos são corruptos”, “os funcionários públicos são uns incompetentes”. Mas o que eu ouço. E eu entendo a mensagem mais complexo do que há por trás. E eu sei que há pessoas em que posso encontrar uma resposta mais complexa do que o que a mensagem a priori expressam. “Os países periféricos, estamos expostos às decisões da presidência da banca, que agora se reúne no Bundesbank”, “Há uma acumulação de casos de corrupção ligada aos partidos políticos, que estão cartelizados”, “a introdução de estímulos de trabalho para funcionários públicos melhoraria seu desempenho”.

Eu não sou uma exceção, nem muito menos, dentro de EQUO ou o Partido Verde Europeu. Somente posso dizer-a nos conhecer mais de perto a encontrar as respostas completas. Mas, sobretudo, para que sejais ativistas apaixonados, defendendo uma investigação pública, livre de condicionamentos e pressões, venham de onde vierem. Uma Soberania Científica. E defender um mundo mais justo, em que se respeitem e garantam os direitos de todas as pessoas, as de hoje e as de amanhã. Tudo isso, e apenas isso, é a ecologia política. Proponho que vamos juntos nessa batalha que está sendo travada, em boa medida, no Parlamento Europeu, e que você pode restaros ou sumaros o próximo dia 25 de Maio.

Colaboração de José Amendoeira é estudante de Engenharia de Caminhos, Canais e Portos da UCLM e simpatizante de os VERDES.

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